Peg Leg Bates, o sapateador que tinha uma perna de pau

No espetáculo de fim de ano, vou dançar uma coreografia em homenagem ao sapateador Clayton “Peg Leg” Bates, que tinha uma perna de pau do lado esquerdo. Comecei a pesquisar mais sobre ele, para tentar entender o espírito da coreografia (e também ver se eu acho meu eixo) e resolvi compartilhar a história dele.

Nasceu em 1907, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Com 12 anos perdeu a perna em um acidente enquanto trabalhava em uma colheita de algodão. Sua perna foi amputada na mesa da cozinha da sua casa. Aprendeu, então, a sapatear usando a sua “peg leg” de madeira que seu tio construiu. “De alguma maneira eu queria ser um sapateador tão bom quanto quem tinha duas pernas”, disse Bates.

Aos 15 anos, ele estabeleceu sua carreira profissional como sapateador. Na Broadway dos anos 30, reinventou alguns passos conhecidos, como o Shim Sham Shimmy, através da combinação rítmica do som mais abafado da sua perna de pau esquerda com o metálico do pé direito. 

Era um dos sapateadores negros que cruzava a barreira das “cores” nos Estados Unidos. Ele participou do circuito branco de vaudeville Keith&Lowe e se apresentou nos mesmos lugares que Bill “Bojangles”, Fred Astaire e Gene Kelly. 

Ele se apresentou 58 vezes no The Ed Sullivan Show, um programa de televisão famoso na época e que está na lista dos 50 melhores shows de TV de todos os tempos. A última aparição, em 1965, foi um desafio com o sapateador Litlle Buck. 

Bates foi dono do The Peg Leg Country Club, em Nova York, o maior resort operado e frequentando por negros no país, que recebeu também muitos músicos de jazz e sapateadores. Ele se aposentou da dança em 1996 e morreu em 1998. 

É realmente impressionante o que ele faz com uma perna. E e você pensa que a perna de pau ficava pirada, está muito enganado. Pelo contrário, ele ainda tira onda com ela. Ele mostra que para dançar bem basta querer (e também ter talento, né?). Assista ao vídeo e conheça um pouco mais desse grande sapateador.

A última aparição de Bates no The Ed Sullivan Show, em 1965:

Por Ana Clara Montez


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